Entre o silêncio e o vazio existencial: notas sobre pausa, tédio e presença
- Amanda Machado
- 21 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de jan.
Eu estava assistindo a um vídeo da Fernanda Lima, no quadro terapiRa, e o tema era sobre as resoluções de 2026, próximo ao fim do vídeo elas comentam o quanto é difícil estarmos em silêncio, o quanto o “não fazer nada” é realmente terrível internamente.
Hoje quando estamos entediados, principalmente em viagens que deveriam ser para descanso, entramos nas nossas mídias sociais e postamos coisas como “sintam a paz”, mas se nem nós mesmos sentimos essa paz, pelo contrário estamos lá achando ruim sentir tédio, uma das perguntas feitas no vídeo é como preencher o vazio, ao que eu associei imediatamente a psicanálise e pergunto porque sempre precisamos preencher o vazio?

Essa pergunta pode percorrer por dois lados, primeiro podemos pensar em que vazio é esse do qual se fala? Será que chamamos de vazio aquilo que simplesmente nos obriga a estar conosco? Por que hoje é tão difícil estarmos a sós, consigo mesmo? O que é essa falta que incomoda tanto e que precisa o tempo todo ser preenchida?
Se por um lado o vazio nos assusta, por outro vivemos numa cultura que transforma qualquer pausa em falha. Estamos imersos em uma sociedade que transforma tudo em desempenho, como bem apresenta o Byung-Chul Han.
Por que nos cobramos tanto? Por que essa necessidade de estar sempre em movimento, de fazer algo? O que era para ser prazeroso vira obrigação, o hobbie hoje não é mais hobbie, é performance, os momentos de pausa precisam ser preenchidos com coisas que sejam instagramáveis ou com coisas que nos façam parecer ativos levando a vida perfeita.
E, no meio de tanta performance, onde repousa o silêncio? Onde ficamos nós?
Quem nos encontra de verdade se nem nós mesmos conseguimos ficar conosco sem a performance que é esperada, e quando não fazemos nos cobramos por estarmos em silêncio? Hoje vivemos um vazio existencial e temos dificuldade de habitar o nosso próprio silêncio.
Em 2025 me afastei das redes. Talvez eu tenha perdido visibilidade, mas ganhei algo que não cabia em métricas: a possibilidade de habitar meus próprios silêncios.









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