A banalização da escrita.
- 4 de mar.
- 2 min de leitura
Nos últimos tempos tenho notado que estamos mais preguiçosos em relação a escrita, estamos nos acostumando a ler textos que não tem “alma”, textos feitos a partir de prompts. Não vou ser hipócrita e dizer que eu não uso, seria uma completa e descabida mentira, eu já usei é claro, assim como tantas outras pessoas antes e depois de mim usaram, usam e usarão.
No entanto, eu tenho sentido esse desconforto, são leituras sempre iguais, não tem um Q de diferente, o estilo do texto é o mesmo, a forma da divisão (inicio, meio e fim) é a mesma, os vícios de linguagem são os mesmos, nunca na história fomos tão pasteurizados como agora.
Entrar no LinkedIn tem sido estressante e extremamente angustiante, todas as pessoas falando exatamente da mesma forma, não tenho conseguido acompanhar a linha de raciocínio por se tratar de textos com uma redundância, quase poética, de coisas do dia-a-dia, que poderiam ter sido textos honestos de opiniões sinceras.

Eu acredito que a banalização da escrita tem se dado pela banalização da leitura, dizemos sempre que não temos tempo, para ler, para escrever, quase não temos tempos para pensar, mas rolamos os nossos feeds por horas e horas, sem nem nos dar conta. Sentamos em nossos sofás e procuramos por um filme num streaming X que nós entrega o mesmo cardápio de sempre e voltamos para a série conforto que sabemos todas as falas, para que enquanto a TV passa o que “escolhemos” nós possamos rolar os nossos feeds.
Estamos deixando de usar nosso cognitivo e estamos escolhendo ter cérebros podres, ou achamos que estamos escolhendo, porque na verdade tudo isso já foi escolhido para nós por pessoas que estão por detrás do streaming e das redes sociais, engajamos nos algoritmos que foram criados para nos manter na roda, e estamos felizes, devidamente medicados, com tudo isso.
Agora estamos entregando a IA ou AI, como quiserem chamar, aquilo que por tanto tempo tem nos diferenciando como espécie, estamos aceitando que talvez estejamos mesmo muito cansados para pensar criticamente, o ato de escrever nossos próprios textos, nossos próprios e-mails virou algo banal, não temos mais tempo para nos comunicarmos de forma efetiva e estamos aceitando isso de bom grado.
Eu realmente não tenho um fim para esse texto, que sim, foi escrito inteiramente por mim, mas acredito que precisemos repensar nossa forma de conduzir a vida, estamos errando seriamente em coisas que merecem nossa atenção. Deixar de escrever nossos próprios textos é quase como deixarmos de ter voz.
Espero que entendam meu desabafo, e prometo que não deixarei com que a banalização da escrita e da vida, atrapalhe mais os conteúdos que pretendo continuar trazendo por aqui.
By. Amanda Machado





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